segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A Sindrome do Capitão Nascimento


Em 2007 o Filme Tropa de Elite foi lançado, primeiro pelo jeitinho criminoso brasileiro (nos camelos) e depois no cinema. Um filme de "ficção" baseado no livro A Elite da Tropa, porém que de certa maneira retratava a realidade do Batalhão de Operações Especiais do Rio de Janeiro o famoso Bope.
A febre foi nacional entre civis,militares e federais, Entretanto muitos comandantes e recrutas começaram a sofrer da síndrome do Capitão Nascimento.

A síndrome do capitão nascimento tem três aspectos: O Exagero de humilhações em treinamentos,a vontade exacerbada de combater os bandidos a "qualquer custo" e a falta de humildade em saber reconhecer que os policiais que não são de batalhões especiais também tem seu valor.

O Exagero de humilhações em treinamentos:

Pede pra sair e Fanfarrão, dois grandes bordões do filme que caíram na boca de todos. Imaginem em treinamentos, em cursos de formação diversos para qual setor for.
È como se invocando tais palavras estivesse ali o próprio Nascimento e sua peneira de pessoas, tentando escolher os melhores, lhes arrancando toda e qualquer sensibilidade e medo "na unha".

A Vontade Exacerbada de Combater os Bandidos a "Qualquer Custo":

O anti-herói, o que é? É um herói que se embrenha nas trevas. Assim disse Nietzsche. Entretanto, o que acontece quando o herói se perde demais nas trevas e não conhece nada mais do que as trevas?
Ao entrar na escuridão, para combatê-la, tendo como parâmetro a luz, esquece-se do que é a luz e acaba adotando um pouco as trevas como parâmetro. Assim, na guerra do dia a dia, matar para cumprir a justiça iguala-se a matar como ato criminoso. Assim, isto explica porque matar é comum a vários policiais e porque torturar é legítimo. Mas, afinal, é certo a quem? Quem é o herói? Quem é o vilão? Qual a diferença? Capitão Nascimento, um anti-herói que entra nas trevas --e pede para sair delas--- E Muitas pessoas começaram a seguir esses parâmetros


A Falta de Humildade Em Saber Reconhecer Que os Policiais Que Não São de Batalhões Especiais Também Tem Seu Valor.

O Filme mostra que o Bope intervém onde os tais policiais convencionais como fala o Cap.Nascimento, não são suficientes ou não conseguem manter a ordem ou solucionar conflitos. Não que isto seja mentira. os batalhões especiais servem justamente para ser o diferencial pois tem um treinamento mais especifico e mais exaustivo, porém deveria ser algo que servisse de alerta ao governo para que todos os policiais tivessem bom treinamento..boa remuneração.... contudo no dia a dia uma boa parte de ocorrências quem atende são os tais convencionais. Se os especiais fossem atender da briga de vizinho a invasão em presidio iriam precisar de um contingente enorme.
Então De quem organiza os pneus da viaturas até os especiais são importantes. Cada qual tem sua importância dentro da corporação do soldado ao coronel.


Coisas que as pessoas deixaram passar:

O Capitão Nascimento sofria da síndrome do pânico, tinha medo de morrer e queria sair do Bope
porque já não aguentava mais e temia seu filho crescer sem pai. Era um policial como muitos que tem por ai,com seu brio mas também com seus problemas. um herói por um lado mas também um ser humano que sofria por outro.


Conclusão:

O Capitão Nascimento foi uma figura midiatica que era a solução na luta contra traficantes mesmo utilizando meios ilegais , que influenciou muita gente. Assim como na época da novela o clone muitas mulheres usam a jóia da jade, a moda da vez é ser um policial truculento.

1 comentários:

  1. Em primeiro lugar, gostaria de dizer que o filme foi livremente inspirado no livro de autoria do sociológo Luiz Eduardo Soares com co-autoria do ex-capitão Pimentel e do capitão da ativa André Batista, ambos pertenceram ao Bope e eu tive
    a oportunidade de servir com este último. Os dois oficiais citados atuaram como consultores e parte de suas experiências e de muitos outros policiais foram repassadas para as páginas do livro. É preciso dizer e entender que a intenção em
    nenhum momento foi glamourizar nem estimular ningúem a tornar-se policial e nem
    agir como os policiais mostrados no filme. A importãncia deste filme na minha opinião
    foi mexer com a estrutura hipócrita de uma sociedade que desconhece o que ocorre
    nos bastidores da policia que tanto critica e cobra. E mostrar com fidelidade relativa, sim porque existe algumas distorções devido a liberdade artistica necessária a produções artisticas o que ocorre nos batalhões da policia militar. Obviamente a intenção do filme era chamar a reflexão, gerar opinião. Mas o que ocorreu?
    Vivemos uma epóca em que a violência é glamourizada, a inversão de valores é latente. A população está cansada da inércia do poder público. Eis que surge um
    personagem que usa dos meios que julga certos para cumprir o que pensa ser sua missão: combater o crime custe o que custar. Afinal ele se apresenta como incorruptivel e mata e tortura marginais. Ou seja faz aquilo que muitos pensam que deveria ser feito mas não tem coragem de admitir. Então foi aí que o impacto do
    filme atuou de forma contrária ao esperado ficando o personagem do capitão nascimento com a aurea de herói urbano. Aquele super policial que todos aplaudem
    na surdina afinal como é dito no filme:"Missão dada é missão cumprida".

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